Porque um mal nunca vem só, e uma dor de cabeça nunca se fica por aí.
Tirara-me a espinha, deixaram-me a carne, corromperam-me a alma e roubaram-me a consciência.
Sinto um frio gélido em mim, que me assolou. Que me congelou.
Num espaço e tempo diferentes.
E depois ... Enquanto a chuva cai, a lágrima escorre, e tudo desaparece.
Fica um vazio.
Permanente, avassalador, que não me deixa falar, gritar, suspirar e que me prende com um colete de forças, como se me tivesse tornado numa doida, e me perco assim no escuro, sozinha.
Procuro no meu próprio abraço o conforto que preciso, mas sinto falta de mais, de ser maior, que esse tamanho me cubra, por inteiro, por dentro e por fora! E quanto gostava eu de ser tão forte como tantas outras pessoas. Ser capaz de dizer que sou capaz de sair deste vazio , e fazê-lo sem dificuldade. E quando tento, afundo-me ainda mais, nas areias movediças de uma mente que nunca dorme, numa ansiedade que me leva a bater no fundo.
Não sei se estou sozinha. Provavelmente não. Provavelmente até estou rodeada de pessoas que me ajudariam a ultrapassar tudo.
Mas estou cega.
Surda.
Muda.
No silêncio e no escuro.
Sozinha.
Talvez o meu devaneio tenha ido longe de mais. Mas enquanto a minha imaginação e alma me permitir, vaguearei por entre este mundo e outros, no consciente ou além fronteiras.
Mas agora, estou sozinha.
